Mare Nostrum

Somos um, somos unidos
e juntos vamos lutar
pra levar este navio
a um bom porto chegar

Na primeira estamos juntos
e aqui vamos ficar
orgulhosos, destemidos
Portugal vamos Honrar

O destino que escolhemos
serve na terra e no mar
lutamos pela bandeira
de uma força singular

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Auto de Notícia

----Aos nove dias do mês de Junho de dois mil e seis, pelas dez horas, eu, Paulo Oliveira, Agente de Primeira Classe da Polícia Marítima, que me encontrava no exercício das minhas funções, em serviço de fiscalização no espaço do domínio público marítimo do Comando Local da Polícia Marítima de Lisboa, verifiquei, pelas dez horas, após ter abordado a embarcação de pesca de convés aberto “PRINCESA DA ADIÇA”, TR-1243-L, no rio Tejo, frente a Caxias-Oeiras, a seguinte situação irregular: o proprietário, Hermenegildo Pedra Rodrigues Martins, pescador e único inscrito marítimo que se encontrava a bordo, facto que contraria o estipulado no Certificado de Lotação de Segurança, não era portador da sua Cédula de Inscrição Marítima, assim como não apresentou Rol de Tripulação Válido e, após conclusão da fiscalização, confirmou a inexistência de dois fachos de mão, exigidos por lei.--------------------
----Perante tais factos, procedemos ao levantamento do presente Auto de Notícia, o qual confirma a constatação das seguintes contra-ordenações: a) Incumprimento do Certificado de Lotação de Segurança, uma vez que nenhum dos tripulantes possuía a categoria de arrais de pesca; b) Não apresentação de Cédula de Inscrito Marítimo; c) Não apresentação de Rol de Tripulação válido, uma vez que o apresentado se encontrava caducado por ter sido celebrado há mais de um ano; d) Inexistência de dois fachos de mão, que constituem equipamento mínimo de segurança de acordo com a legislação em vigor.-------------------------------------------------
----Por ser verdade e para se constar, se lavrou o presente Auto que, depois de lido e achado conforme, vai ser devidamente assinado.-----
Sininho, Peter Pan, Marina e Fantasma

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Homicidio

a meu ver, quem matou a Anabela foi o Tó Jó, poia a Anabela não aparenta ter a força necessária para um acto como o de se atirar da varanda abaixo. Ela vê na sua feia beleza um impedimento á felicidade, mas a traição aos seus sentimentos não a impede de continuar a viver...caso contrário não estava com o bancário peludo! Já o TóJó vive inconformado com o facto de no seu orgulho de "macho latino" figurar a "mancha" deixada por uma rapariga que a partida não lhe poderia negar a companhia. A frustração toca mais forte a quem trabalha a beleza, e a falta que a Anabela lhe fazia sentimentalmente é a meu ver razão suficiente para que o Tó Jó, não compreendendo o facto de ser trocado por um "homem das cavernas" e após uma noite em que sentia que poderia voltar a viver a paixão que ainda o tornava humano e não um boneco de acção, vendo-se confrontado com o oposto, matasse a Anabela.
Moral da história: Não é para mim, também não é para ti!
(Ou não!)

Relatório

A teoria do suicídio tem fundamento devido ao passado clínico da Anabela. Os internamentos no Hospital Conde Ferreira e a anterior tentativa de suicídio são fortes indícios de instabilidade emocional e psíquica, podendo, em ultima instância, resultar no pior cenário possível, o suicídio. O ter feito compras pouco antes de morrer poderá ser razão para se suspeitar de algo mais macabro do que suicídio, mas, devido aos condicionalismos do seu estado emocional e psíquico, acho que não será muito relevante. Quanto ao cão de porcelana partido com os restos no chão já é mais suspeito, conjuntamente com o anel de curso encontrado também no chão, evidencia prováveis sinais de luta, e possivelmente um novo ângulo de visão relativamente a este caso... Homicídio...
Anabela, uma personalidade fragilizada, com um feitio difícil e nem por isso forte o suficiente para se poder impor a tudo aquilo que a afligia, dividida entre um amor que quer mas não é capaz de suportar e outro que lhe confere a estabilidade de que necessita para manter a pouca lucidez que ainda tem.
Por estes motivos e até a sua aparência que a atraiçoa cada vez que se olha ao espelho, e nele vê reflectido todas as suas emoções reprimidas e recalcadas de todos os episódios e desesperos que passou. Não consegue aguentar a pressão e decide por termo a sua vida num último instante de loucura, corre pelo apartamento e lança-se da janela.

Acta Vinte e Oito

-------------------------------ACTA NÚMERO VINTE E OITO---------------------------------------
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--------Aos nove dias do mês de Fevereiro de dois mil e nove, pelas oito horas e cinquenta minutos deu-se início à quinquagésima quinta e quinquagésima sexta aulas de Potuguês, na sala dos Bimbos, sito na Mourolândia. O início da aula teve um ligeiro atraso devido ao exercício físico que nos foi proposto pelo mouro Cabeça de Fósforo .----------------------------------------------------As aulas foram dirigidas pela Dra. Esmeralda e tiveram a presença dos trinta Bimbos do trigésimo segundo Curso de Formação de agentes exterminadores de Zé Camarinhas.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--------Tiveram como ordem de trabalhos, os seguintes pontos:-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--------Ponto um – Leitura da acta número vinte e sete. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------Ponto dois- Leitura e realização de exercícios com o tema:”Os Conectores”. -----–----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------Ponto três – Visualização de um Power Point sobre o Relatório.------------------------------
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---------Ponto quatro – Realização de um trabalho de grupo com a temática o Relatório.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------Relativamente ao ponto um, leitura da acta número vinte e sete, foi lida pelo Bimbo Godot. Seguidamente, a turma procedeu à sua correcção e aprovação, sob a orientação da Dra. Esmeralda.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------No que respeita ao ponto dois, procedeu-se à leitura individual de uma ficha sobre a coesão textual com o tema :”Os Conectores” e realizaram-se alguns exercícios presentes na mesma. De seguida efectuou-se a sua correção.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------No que diz respeito ao ponto número três, visualizou-se um Power Point sobre as técnicas e o modelo de escrita com o tema:“O Relatório”. Foi lido e comentado aos Bimbos pela Dra. Esmeralda.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------Referente ao ponto quatro, a turma foi dividida em grupos e cada um realizou um trabalho, que consistiu em analisar um relatório, a sua estrutura e a sua linguagem, com temas diversos para cada grupo.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------Houve um intervalo de dez minutos entre as aulas, das nove horas e vinte minutos às nove horas e trinta minutos, tendo os bimbos terminado o exercício anteriormente proposto pelo mouro Cabeça de Fósforo.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------E nada mais havendo a tratar, deram-se por encerrado as aulas, pelas dez horas e vinte minutos da qual se lavrou a presente acta que, depois de lida e aprovada, vai ser assinada pelo bimbo Wally e bimbo Winnie The Poe que a secretariámos, e pela Dra. Esmeralda que a presidiu.-----------------------------------------------------------------------------------------------

O desespero de ser feliz.

Várias coisas poderiam ter acontecido mas as mais prováveis, para mim, seriam: o suicídio, ter sido empurrada pelo bancário frustrado em fúria ou então o próprio Tó Jó.
A Anabela, como nos deu a entender com o seu comportamento auto-destrutivo, e após ter-se deixado seduzir novamente pelo Tó Jó, pode não ter aguentado psicologicamente ao facto de ter fraquejado aquando da noite louca pós Moonlight e ter posto um término à sua vida e ao seu incompreensível desespero de viver pensando que era menos amada do que provavelmente amaria. Tudo porque, apesar de perdidamente apaixonada pelo Tó Jó, não se mentaliza de que Tó Jó é mesmo a pessoa da sua vida e que o bancário aparece na sua curta vida, somente, para sua superiorização numa relação. Conscientemente, penso que a Anabela sabia que nunca se iria livrar da paradoxa paixão exacerbante que tinha pelo Tó Jó. O bancário, por razões óbvias, teria motivo para se travar de razões com a noiva, especulando eu que, talvez após uma discussão acesa seguida de algumas agressões, seria o suficiente para atirar a pobre Anabela uns andares abaixo. O Tó Jó seria, naturalmente, um suspeito mas, a meu entender, gostava demais da Anabela para lhe fazer isso. Suicídio portanto…

Relatório

Após as primeiras deligências, e com as provas recolhidas, a hipótese de suicídio parece cada vez mais remota...
Há indícios que a jovem era mentalmente perturbada, encontrando-se muito frequentemente pelo Conde Ferreira ( Hospital), tendo inclusive tentado o suicídio com comprimidos.
O facto do frigorífico se encontrar "recheado" de mantimentos afasta um pouco a hipótese de suícidio, isto combinado com o facto de se encontrar um bibelot com a orelha partida, e um anel de curso (universitário) encontrado na cena do crime, dá-nos uma probabilidade de 80% de hipóteses de ter sido homícidio. Um desenho do trajecto do crime remonta-nos para a possibilidade de contacto físico agressivo com a víctima, o assassino terá então arrastado o corpo até à varanda e no decorrer do acto, tropeçou então no bibelot partindo a orelha do mesmo, e não se preocupando em ver se haveriam vestígios que denunciassem a presença de um acto ílicito. O Anel encontrado, provavelmente pertencente ao bancário, dá-nos então indícios deste ser o suspeito número um, mas apenas com posteriores interrogatórios ao "matulão" do amante e o noivo bancário poderemos tirar conclusões menos percipitadas.